"Você não pode cruzar o mar meramente estando parado e olhando para a água." Esta frase de Rabindranath Tagore, um dos maiores polímatas da história, expressa uma sabedoria profunda. Como poeta, romancista, músico e dramaturgo, Tagore reformulou a literatura e a música bengali no final do século XIX e início do século XX, e com seu trabalho, sobretudo o célebre Gitânjali ("Oferenda Lírica"), conquistou o Nobel de Literatura em 1913. Mas essa frase em especial torna-se atemporal e o espaço, aplicando-se à vida de todos nós, em diferentes épocas e culturas.
Ela nos diz que, para alcançar o êxito, não basta apenas observar ou planejar — é preciso agir, enfrentar o desconhecido, arriscar-se. O mar representa o desconhecido, o inexplorado, e cruzá-lo é um convite para avançar, apesar do medo ou das incertezas. Não é apenas uma mensagem sobre a coragem de seguir adiante, mas sobre a necessidade de ação para conquistar qualquer objetivo.
No entanto, essa metáfora não deve ser confundida com a ideia de que devemos experimentar qualquer coisa sem discernimento ou até ilegal. A frase de Tagore é, muitas vezes, mal interpretada, sendo usada para justificar ações irresponsáveis ou até ilícitas. Mas seu verdadeiro sentido está em encorajar uma atitude forte e corajosa frente à vida, não em promover atos que prejudicam a si ou aos outros. Tagore nos lembra que, assim como o marinheiro aprende a navegar em mares tempestuosos, nós aprendemos a viver enfrentando os desafios da vida de maneira ética e sábia.
O mar bravio, assim como as dificuldades da vida, é o que nos faz mais fortes e nos ensina a sermos melhores. É nesse processo de atravessar tormentas que ganhamos a habilidade de enfrentar crises futuras com mais tranquilidade. As dificuldades nos amolecem, no sentido de que nos tornamos mais gentis e compreensivos, mas também nos endurecem, nos fortalecendo para que possamos suportar e superar desafios maiores à medida que avançamos.
Essa sabedoria se torna ainda mais relevante quando pensamos no envelhecimento. O envelhecer é uma aventura desconhecida que muitos temem, mas é uma travessia inevitável. Não adianta ficar parado, apenas observando a passagem do tempo com medo ou ansiedade. Encarar o envelhecimento como uma parte natural e inevitável da vida, e se preparar para isso, torna a travessia mais tranquila. Assim como no mar, precisamos estar prontos para navegar pelas ondas da vida com serenidade, sabendo que as dificuldades que surgirão farão parte do nosso crescimento.
Cruzarmos o mar da velhice, ao invés de simplesmente assisti-la se aproximar, exige aceitação, resiliência e sabedoria. As tempestades que enfrentaremos ao longo dessa travessia moldarão quem somos, e nos prepararão para a chegada a portos que ainda não conhecemos. Ao agir com coragem e serenidade, nos tornamos capazes de envelhecer com dignidade, compreendendo que essa jornada é parte essencial da vida. Assim, enfrentamos o mar da vida, conscientes de que, embora não possamos prever as ondas que virão, podemos sempre aprender a navegar.
Você não pode cruzar pela vida estando parado e olhando ela passar.
Simples assim
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