Jean-Jacques Rousseau escreveu certa vez sobre o envelhecimento. “A juventude é a época de estudar a sabedoria. A velhice é a época de praticar”. Esta frase somada com outra de Michel de Montaigne que “A velhice nos causa mais rugas no espírito que na face” dá pra dar uma dimensão sobre o que é envelhecer.
Ao contrário do que se espera, a velhice não são só dores e
limitações. O problema é como se enxerga este envelhecimento. Quando se é jovem
e entra num programa de exercícios e se chegar uma equipe de pesquisa para
perguntar “o que você pensa enquanto faz exercícios?”, a resposta sempre será
algo similar ao objetivo que a pessoa quer alcançar. Corpo “perfeito” de uma
forma bem resumida.
Quando uma pessoa mais velha entra num programa similar e
for perguntado sobre o mesmo a resposta será similar a algo como “para perder
peso”, “para controlar as taxas”, sempre algo sobre o que quer deixar para
trás. Poucos pensarão em “quero um corpo perfeito”.
Essas duas situações podem parecer que são iguais, porém a
forma como nosso cérebro processa as informações ajudará muito sobre os
resultados. Para iniciar este diálogo a pergunta é: “O que é um corpo perfeito?”.
Muitos poderão até pensar nos ícones do fitness. O corpo perfeito
é tão vago quanto a pergunta feita por um programa de pegadinha quando saiu às
ruas abordando as pessoas com “Como foi a primeira vez?” e muitos respondiam
que foi muito bom, mas até que alguém perguntou “primeira vez de quê?”.
Para um jovem o corpo perfeito pode ser aquele igual aos
ícones do fitness, mas para alguns mais velhos a resposta poderá ser surpreendentemente
igual. Ninguém pensa num corpo perfeito como um corpo livre de doenças ou capaz
de realizar manobras que possam até desafiar às leis da física. Este tipo de
pensamento é comum em mais velhos quando sofrem alguma lesão e ficam
impossibilitados de realizar algum movimento e numa clínica de fisioterapia
projetam tal desejo e imagem.
O cérebro trabalha melhor quando faz projeções, pois usa uma
área chamada lobo Frontal, que fica “dentro da testa”, digamos assim. As
estruturas desta região trabalham de forma diferenciada do resto do cérebro
justamente por ter células diferentes. Isso significa que as reações e
respostas, além de realizações serão bem mais eficientes. Diferente quando se
faz alguma atividade pensando naquilo que quer deixar para trás, que remete
ativar memória. Até o gasto calórico quando se faz projeções para o futuro é
maior que quando pensamos no passado.
Talvez por isso que muitas pessoas obtenham melhores
resultados quando projetam aonde querem chegar do que simplesmente fugir de
algum “lugar”. Isso sem mencionar que a fuga significa disparar os sistemas de
alarmes do corpo e isso significa prejuízo mental e físico e inclusive nos resultados
quando se pratica um programa de exercícios.
Se queremos envelhecer com qualidade temos que focar naquilo
que queremos ser e não naquilo que não queremos ser. Quando se quer sair do
buraco, ninguém olha para o fundo dele, mas para onde precisa ir.
Simples assim!
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