Rabindranath Tagore foi um polímata indiano que ganhou o Nobel de literatura em 1913 e teve vários livros, além de frases célebres. Uma que nos leva a uma reflexão é que “Compreendemos mal o mundo e depois dizemos que ele nos decepciona”.
Tendemos a ver o mundo com nossos olhos. Isso pode ser
salutar, mas às vezes pode ser inquietante e perturbador.
Se somos pessoas que procuramos ser bons, tendenciamos a ver
todos como pessoas boas e muitas vezes nos decepcionamos com elas. Se somos
pessoas ruins, tendenciamos a ver todos como pessoas ruins, prestes a nos
passar a perna ou nos por para trás e viveremos eternamente tensos e estressados.
O fato é que as pessoas não nos decepcionam. Na verdade, nós
nos decepcionamos com as projeções e expectativas que criamos para aquelas
pessoas. Ninguém é bom e só porque esperamos que ele seja bom ele se torna
ruim. A pessoa sempre foi aquilo que é.
Até aí não há problemas. O problema é quando as pessoas começam
a se guardar do mundo para não se decepcionar com as pessoas.
Uma verdade difícil de engolir é que as pessoas sempre vão
nos decepcionar em algum momento, mas não por serem más, mas porque criamos expectativas
sobre elas ou pior, achamos que poderemos mudá-las. Às vezes até se consegue...por
um tempo, mas depois o verdadeiro “eu” sai e vem a decepção.
O mais difícil é
aceitar que o outro não é como queremos que ele seja.
Por nos preocuparmos tanto com o que o outro poderia ser,
mas não é, esquecemos de olhar para nós mesmos.
Será que somos aquilo que gostaríamos que fôssemos? Será que
seríamos capazes de nos aguentarmos? Não é a questão que iguais não se atraem
ou se combinam, mas o fato de talvez sermos extremamente insuportáveis até para
nós mesmos.
Ao envelhecermos, com tantas decepções que as pessoas nos
causam por expectativas que criamos sobre elas, nos fechamos colocando a culpa
dos males do mundo ao nosso redor no outro e com o passar dos anos, ficamos
mais críticos e céticos, por coisas que nós mesmos criamos.
Ao conviver conosco mesmo, cheio de decepções que fomos 100%
responsáveis, seríamos capazes de nos aceitar como somos?
Seríamos pessoas mais velhas com manias e não aceitação do
mundo ou ainda estaríamos com fé na humanidade, apesar dos defeitos que ela
tem?
Ao procurarmos sermos pessoas melhores ao invés de tentarmos
não ser piores, poderemos mudar um grande paradigma.
O de aceitar que ninguém nos decepciona na verdade, mas que
nós é que decepcionamos o mundo.
A decepção só acontece quando não nos aceitamos no mundo!
Simples assim!
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