Ano novo, vida nova.
A maioria das pessoas colocam um marco de mudança em datas
específicas. Primeiro dia da semana, primeiro dia do mês, primeiro dia do ano...
Já existe até uma contraproposta que quem deveria mudar
somos nós e não o ano.
De fato, possivelmente as duas colocações devem estar
certas.
Quando nos propomos a fazer algo diferente, desenvolvemos o
talento de mudar o próprio destino. Se essa decisão é tomada realmente do fundo
da alma, pouco importa se é segunda-feira, dia primeiro ou qualquer coisa.
A questão principal é se a criança interior teve suas mágoas
consoladas e seus desejos respondidos.
Se pudéssemos nos encontrar com o nosso eu quando tínhamos
oito anos de idade, ele nos agradeceria por ter cumprido parte das promessas ou nos acharia um fracasso?
Parte das promessas porque muitos não conseguirão ser campeões
mundiais ou astronautas, porém muitas vezes não são sonhos impossíveis como ter
uma casa no campo e um cachorro ou morar perto da praia, ser um engenheiro ou
médico. Não ser chato como muitos adultos são.
Ao longo da vida vamos matando os desejos de criança muito
por não acreditarmos que somos capazes de ter uma casa no campo ou na praia,
desistimos de ser engenheiro ou médico. Desistimos de não sermos chatos como
muitos adultos.
Isto não chega a matar a criança interior, mas a deixa
extremamente irritada. Esta criança nos acompanha a vida inteira. Sufocamos,
reprimimos, mas ela continua lá cada vez mais raivosa.
E quanto mais sufocamos, mais difícil nos propormos a mudar na
virada do ano, pois ela continua raivosa.
Talvez essa seja a razão pela qual os adultos sejam os chatos
que achamos quando crianças. Um adulto chato se torna alguém mais velho mais
chato ainda, caso não se perdoe e olhe para a criança interior. Liberar a raiva no sentido de deixar ir embora por praticar o autoperdão e não de explodir em fúria.
O autoperdão é necessário para termos uma velhice plena,
além de aceitar que nem tudo ocorre como planejamos.
Para termos uma vida nova, um bom passo a ser dado é liberar
a raiva da criança dentro de nós.
Simples assim!